quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A minha viagem em fotografias # 1#


Tanta coisa muda.

Solar dos Zagallos

Eu sempre gostei de fotografia mas sou pouco dada a cliques em "causa pròpria", com hora marcada e objectivo definido. Acho-me pouco fotogénica, não sei fazer cara séria - as fotografias tipo passe são sempre um suplício! - e quase sempre resvalo para as posturas cómicas!
Bem, as coisas mudam. Ás vezes.




Ouvi muitas vezes as queixas de quem já esteve grávida: "Olha, não deixes para o fim, como eu, que depois acabas por não fazer!". "Olha, eu não fiz sessão fotográfica e tive muita pena depois, porque é uma fase única e dá muitas saudades".
Magia! Também eu, à medida que a gravidez foi evoluindo, ganhei a vontade de registar esta fase maravilhosa em fotografias. A memória vai-nos traindo ao longo dos tempos, por mais que queiramos guardar tudo o que realmente importa. E a fotografia é, sem dúvida, uma excelente forma de deixar "gravada" esta viagem - a maior e mais importante de todas -, porque consegue transmitir as emoções que  fui arrumando em mim ao longo dos tempos, aquelas que senti no momento e as do futuro próximo que vai mudar tudo.


Nunca é demais. Obrigada Lucia por estes momentos. Para além de uma tarde super divertida e cheia de adrenalina (xiuuuuu, a felicidade não cansa!), o resultado está à vista: maravilhoso :)

Mexeu-se! Já a reclamar protagonismo, impressionante...!



terça-feira, 20 de agosto de 2013

Aquela sensação de que o tempo vai deixar de existir



Sabem aquela sensação de "quero tudo arrumado JÁ e sempre porque, amanhã, sei lá eu onde é que estou?"

Sabem aquela sensação de "tenho que fazer tudo, tudo agora, porque nunca mais vou ter tempo para fazer 
nada na vida porque, Oh God, vou ser mãe, vou ter um bebé cá em casa e a minha vida vai-se resumir a ele?"

Sabem aquela sensação de "se pudesse fazia já as refeições todas do Inverno e congelava, limpava as casas-de-banho 30 vezes e estendia as máquinas de roupa todas e deixava ja tudo passado e arrumado porque depois... Oh God! Vou ser mãe, e não vou ter tempo para mais nada..."

Sabem aquela sensação de "fazemos já um avio para três ou quatro meses, porque depois pode não dar jeito ir ao supermercado, o problema são os frescos...?"

Sabem aquela sensação de "nunca mais vou ter tempo para coisas de adultos, como é que me vou adaptar à minha nova vida, vou ser capaz de falar como um adulto quando estiver no meio deles?"


Com 36 semanas, esta sensação agudiza-se. Não há resposta apaziguadora possível. É a vida à minha frente. Um parto pela frente. Uma pessoa tâo pequenina que eu vou trazer ao mundo.

É uma sensação sem igual. 


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A mala da pingenta pink




Fazer a mala para alguém que vai conhecer o mundo onde vai viver o resto dos seus dias...
Os pais que a conceberam e amaram desde o primeiro momento...
Não é uma tarefa qualquer...
Convenhamos, dá alguns nervos, sentido de reponsabilidade, com felicidade à mistura.  

Muitas mais malas vou fazer para a Inês ao longo da vida.
Para ir passear, fazer visitas, ficar em casa de familiares e amigos... Até ao dia em que será ela própria a fazê-la, a decidir o que quer lá dentro, para onde vai e com quem vai.

Deixa-me regressar a este momento. 
Este onde ainda te espero, minha "pingenta" pink. Pequenina e cheirosinha. Macia e linda.
É assim que te imagino. E os meus olhos vão-te ver assim porque o coração sente-te a coisa melhor do mundo.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O Chá da minha menina

Praia da Vierinha, o  meu mar e o meu ar. Respirável e transitável, apesar de ser Agosto. Banhos salgados, areia fofa. E depois Porto Covo, choco frito, turistas de cara feliz, cheiros de férias e de sol.  What else?
Chegámos a casa já a meio da tarde - não estivesse o B. encarrregue de fazer com que aparecesse só depois de estar tudo pronto! - e... os amigos e a família e um quintal preparado para uma festa de boas-vindas à minha menina. Não é preciso estar grávida para dar o devido valor a uma coisa assim. Pois não?

 
 


Confesso que gosto disto: dos amigos e família reunidos, da celebração do que é importante ao pé daqueles que percebem o sentido das coisas no momento em que as estamos a viver. São mimos especiais, que combinam em tudo com a chegada de uma bebé muito desejada.
A festa não podia estar mais bonita e deliciosa, não fosse a minha mana a manda-chuva :) Os doces, só por si, aquela maravilha dos deuses, até combinavam com a decoração do ambiente. Vejam bem o luxo! Rosa, castanho e branco, brilhantes por toda a parte, mochos, bolinhas e riscas, bandeirolas e balões!

  

Por entre mergulhos frescos, risadas, fotografias e brincadeiras, também houve, como não podia deixar de ser num Chá de Bebé, uma certa pedagogia! E neste campo, atribuo, desde já, uma medalha de mérito ao B., por ter na ponta da língua a resposta a muitas questões deste novo mundo e por saber mudar a fralda como manda a lei :)
A vocês todos, os que se esforçaram para proporcionar momentos tão bons e contribuiram para ficar ainda mais feliz e confiante para o que aí vem, um abraço gigante. Mesmo muito grande. E apertado. 

Bem, se é apertar, deixamos para Outubro, que aí já posso usar de toda a minha força e agilidade física!

 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Malas para a maternidde: O pai já fez a sua?

Sem se conhecerem, sem se combinarem, parecem-me todas iguais. Chegam redondinhas, quase todas com os mimos centrados  na barriga. Umas acariciam-na, outras "passam a vistoria" sem se aperceberem, outras suportam-na com a mão, a denunciar o peso incómodo, outras perdem-se num sorriso ao ver as ondinhas que vão surgindo: o bebé quer conversar! Outras ainda olham de forma cúmplice para baixo, algumas em sintonia com o pai, que as acompanha ao Curso de Preparação para o Parto.

Todas com dúvidas, todas a quererem saber mais, todas à procura de segurança para o que aí vem. Sabemos que é tão pequenino, tão indefeso, supostamente tão controlável por nós, adultas, responsáveis, mas... temos todas medo de não estar à altura de tratar a pessoa que vamos pôr no mundo não tarda nada. Nem é preciso dizê-lo.

Passando à parte prática da vida. E algo cómica. Pensando bem, nem sei se esta é a parte prática do post ou do curso, se pensarmos que aqui há uns 30 anos, ninguém ligava nada a isto...

AS MALAS PARA LEVAR PARA A MATERNIDADE

São três. Começo pela mais engraçada:


A Mala do Pai
Ahahaha! Pois é, eles também podem e devem preparar a sua pochete!A dita cuja deverá incluir:

1. Máquina fotográfica e carregador
2. Livro/Revistas para se entreterem, "porque, às vezes, o parto pode ser demorado e sempre passam melhor o tempo"
3. Água (ok, tudo bem), bolachas (esta acrescentei eu no meu caderninho) e rebuçados para dar à mãe enquanto espera, "porque vai-lhe saber bem!"
4. Por fim, mas também muito boa, uma t-shirt, "porque a mãe pode vomitar e assim já vai prevenido". Acrescentaria aqui, uma t-shirt extra também para a mãe, para o caso, de ser o pai a vomitar com os nervos mas... não quero ser pessimista :)



A Mala da Mãe
O assunto agora é sério. Esta é a lista pedida num hospital público, o Garcia da Orta (e nunca é demais dizer que nesta orta, não há "h's")

1. Pensos higiénicos para fluxo muito abundante
2. Cuecas descartáveis ou de algodão (6). São preferíveis as primeiras porque é muito provável que se sujem e depois é constrangedor estar a pedir a x ou y para tratar do assunto, caso a própria não o possa fazer!
3. Soutiens de amamentação (2/3) + discos de amamentação
4. Camisas de dormir ou pijamas abertos à frente (3) para facilitar a amamentação
5. Toalhitas: o hospital utiliza compressas com água para o caso da mãe não levar
6. Fraldas: "Em princípio não é necessário levar mas nunca se sabe se há ruputura de stock no hospital...". Pois, para bom entendedor...
7. Toalhão de banho + toalha de rosto
8. Necessaire com produtos básicos e pessoais de higiene
9. Elástico para o cabelo, "porque os bebés têm tendência a puxá-los"
10. Chinelos de quarto/banho

A Mala do Baby
1. Fraldas de pano (3): servem para várias coisas, como limpar os bolçados, tornar discreta a amamentação,  proteger a criança quando sair para a rua, inclusivamente, "de todos os que lhe querem mexer" (esta é boa!)...
2. Fraldas descartáveis e toalhitas
3. Mudas de roupa completas (3/4), sem esquecer as meias e os gorrinhos de algodão, visto que os pés e a cabeça são os sitios por onde os bebés mais perdem calor. Retirar etiquetas, levar tudo lavado e passado. Ah, pode-se colocar amaciador na roupa, desde que seja adequado.
É conveniente separar uma muda completa de roupa e colocar num saquinho à parte, para levar para a sala de partos, uma vez que a mala fica numa outra ala e, portanto, inacessível a hora da verdade :P
4. Toalha de banho
5. Manta
6. Os produtos de higiene e hidratação do bebé. O importante é que sejam adequados, tenham vitamina A, sem perfumes
7. Documentos pessoais, incluindo, boletim de grávida e todos os exames feitos até à data durante a gravidez
8. O Garcia da Orta é "Amigo dos Bebés", pelo que as chuchas não entram :P

Até à próxima aula!




quarta-feira, 31 de julho de 2013

A ecografia dos três minutos - Já fizeram?

"A minha ecografia do terceiro trimestre durou três minutos". Um por cada trimestre. 

Aahahah. Se me contassem, não acreditava. Atribuíria o exagero da afirmação às hormonas da grávida, à ansiedade que faz parecer uma eternidade num momento. Mas o que fazer se experienciei a situação na primeira pessoa?

Peguei na credencial do SNS, pela primeira vez em toda a gravidez, e decidi utilizá-la, para ver a Mel outra vez, para ver o que cresceu desde a semana passada, saber o percentil, para acalmar o espírito, para sorrir. Achei que não valia a pena dizer ao médico que aquela eco era, sobretudo, para avaliar o crescimento, poderia dar azo a conversas por parte do médico - há quem ache que deve julgar os utentes como se fosse dono do sistema, e eu ando com pouca disposição para combates, não agora, deixem-me "desovar" primeiro, depois falamos de igual para igual - e poupei-nos. 

Desde que entrei na sala, até sair, passaram cerca de três minutos.
Desde que entrei na sala até sair, passaram cerca de três minutos.

Duas vezes para que não pensem que não li o que escrevi. Aconteceu assim:
 - Ana, sabe qual é a data do parto?
 - Qual é a data da ultima menstruação?
...

Ecógrafo na barriga: passam alguns segundos e começa a debitar quatro ou cinco medidas à auxiliar (que as aponta num papel), de partes do corpo que já tinha medido e observações que havia feito... Naqueles escassos segundos.

[Familiarizada que estou às lides ecográficas, sorri quando vi a cara da menina, mas não consegui sensibilizar o médico, que continuou remetido ao silêncio].

Retira o ecógrafo e pergunta: "Já sabes o que é, ou queres que te diga?". Sim, ao que parece somos amigos ou da família, pelo tratamento informal que deu à pergunta. Limpou-me a barriga. Saí.

Aguardei cinco minutos na sala de espera e trouxe o relatório.
O dito cujo tem tantos items avaliados que, de imediato, olhei para cima para confirmar se era o meu nome, se era a minha ecografia, se seria a Mel ali analisada, se aquele seria o médico Speedy Gonzalez que havia colocada o ecógrafo dois minutos na minha barriga há momentos.
Aparentemente sim. 

Saí de lá com a satisfação de um percentil 50, maior do que a semana passada :)

E também a pensar... no tratamento que daria a toda esta situação se não estivesse grávida e, consequentemente, com espírito para gastar energias com coisas que me parecem es-can-da-lo-sas. Isto é escandaloso. Não encontro outro adjectivo.

Por mais profissional que o médico seja, avalia-se o crânio, os ventrículos cerebrais, a fossa posterior, o diafragma, o trato gastro-intestinal, os membros superiores, a parede abdmominal, quatro cavidades cardíacas, a saída dos grandes vasos, pulmões, os genitais externos, os mesmbors inferiores, o cordão umbilical, os rins, a bexiga, a face e a coluna... EM DOIS MINUTOS de ecografia?

Convençam-me disso, mas demorem algum tempo, porque não vou acreditar facilmente que tudo isto não passa de um laxismo gritante, de falta de profissionalismo de um médico que se demitiu de o ser, pelo menos, na sua plenitude. É bom não esquecer que o médico nunca me viu na vida, não seguiu a minha gravidez ou teve acesso a exames anteriores! 

E é bom não esquecer que o dito cujo não proferiu uma frase explicativa do que visualizava no ecran! Uma! As ecografias são actos médicos fundamentais mas, a parte emocional para a grávida também deve ser levada em conta! Custava alguma coisa dizer "aqui é a cara, aquilo que vê a piscar é o coração, aqui é a perna, a mão... está tudo bem e até à próxima"? Será que não ganha para isso? Será que prejudica a sua concentração e posterior avaliação do bebé?

Se não tivesse termo comparativo, poderia ser branda nesta apreciação, mas tenho. E, por isso, não o posso ser.

Nunca fiz uma ecografia que durasse menos de dez minutos, e as do trimestre, não terão durado menos de 20/30 minutos. Com direito a explicação sumária do que o pai e a mãe procuravam adivinhar avidamente, de olhos brilhantes colados ao écran, com direito a avaliações demoradas, com insistências para ver como deve ser este ou o outro pormenor, com passagem real por todas as partes em análise naquele momento da gravidez. 

Será que tudo isto se explica no binómio: 
Exame feito com credencial SNS - Exame particular com seguro de saúde?

Não quero acreditar. Há profissionais óptimos no SNS. E também há condições óptimas no SNS, nalguns sectores, nalgumas organizações, nalguns dias... É como tudo. Assim, vou ficar para mim com a convicção de que aquele médico é que não é um bom profissional, não é merecedor do SNS, é uma ovelha ranhosa do rebanho. 
E uma ovelha não faz o rebanho.



quinta-feira, 25 de julho de 2013

As 8 semanas que faltam


Estou a precisar de me questionar. De fazer um balanço. De me preparar para o que aí vem.
Sai mais um questionário da Inês Mel à sua jovem e linda mãe, sff :)

"Mãe, como é que te sentias às 32 semanas?"

Mãe, antes de mais, estás com um semblante (ah ah, quando é que ela vai saber o siginificado desta palavra?) esquisito hoje. Que se passa?
Estou encalorada, está abafado. Estou cansada, à semelhança do que tem vindo a acontecer nos últimos tempos, mesmo que não faça nada de especial. Estou meia apreensiva, meia ansiosa, meio... Já são muitas metades para uma só pessoa...

Nesta fase do campeonato - 32 semanas - o que é que mais te preocupa?
Ui, desde a semana passada que fui atacada pela designada fúria da grávida. Deu-me a pressa para ter tudo despachado. Não é que ache mal e que ainda falte muito tempo, porque, de facto, não falta. Mas ainda não me tinha sentido stressada assim. Ainda não tinha faltado tão pouco tempo assim...
O soutien de amamentação, os discos de aleitamento, a mala da Inês, a minha mala, a primeira roupinha, está tudo lavado e passado, o varão, o cortinado, os tecidos para forrar as almofadas, o ovinho, a casa está em condições para se tiver que largar de um momento para o outro...? Tantas pequenas coisas, tudo tão importante. Na minha cabeça.
Mas o que mais me enche o espírito hoje é o dito percentil: "Ela é pequenina Ana, não em comprimento, mas é magrinha, a barriga é magrinha, vamos ver como cresce daqui para a frente!". Um quilo e setecentas parece-me tão jeitoso. Bem, já cometi o crime: li coisas na Internet; e estou mais descansada (também acontece!). Não é um peso preocupante, a qualquer momento pode dar um "saltito" bom, são estimativas, não certezas, o que interessa é a saúde e o bem estar fetal e esse, está bom :)

Como é te sentes em relação ao parto, nesta fase?
Quase íntimos! Penso muito nele já! :) Já não é uma coisa que vai acontecer daqui a meses. Vai acontecer, em pouco mais de um mês. E um mês passa a correr! Vou saber respirar? Vai demorar muitas horas? Vou saber reconhecer os sinais para ir para o hospital, vou chegar a tempo? (Não B. nao vais ser o parteiro numa beira de estrada :)) Vai correr tudo bem? E depois; vou conseguir dar de mamar logo?

Já passou tanto tempo, o que é de melhor ficou até agora?
Muitas coisas. A minha gravidez, por circunstâncias da vida que nunca imaginei, foi feita em casa, sem actividade profissional para conciliar, com muito descanso e total dedicação. Pude vivê-la com a felicidade que ela merece, sem interferências laborais ou preocupações do mundo lá fora. Não deixei, não quis, fiz bem. Quem tinha que se aproximar, aproximou-se, acompanhou-me, fortaleceram-se laços e criaram-se outros. Passei estes tempos com saúde, sem grandes incómodos ou sustos. Um bebé cresceu aqui e, mesmo cá dentro, acho que já me fez crescer. Parece cliché, mas para além de o ser, é verdade. E tenho a certeza de que há muitas mais ideias feitas que se aplicam totalmente à gravidez e à maternidade. Portanto, o que melhor fica até agora? Não sei resumir. Hoje não.

* Nota: A minha Inês já dá ares de entrevistadora, não dá? Oh God! Não sei se acho bem :) Temos que falar, um dia mais tarde, sobre estas lides do jornalismo.