quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A apologia de uma creche e o primeiro TPC dos pais



Quando chego à sala polivalente e a vejo tranquila, enlaçada em braços meigos, à espera de quem lhe abre um sorriso ansioso e lhe quebra a moleza do fim de dia... sinto uma alegria maior que eu.
Já passaram algumas horas desde que demos aquele beijinho matinal - que, às vezes, tem um chorinho na despedida - e estamos com saudades uma da outra. Muitas. 

Ela já sabe que a partir dali, somos só nós novamente, o nosso passeio até casa, com paragens debaixo das árvores para ver as folhas, para sentir o vento na cara, fazer carrossel, ver um ou outro cãozinho que por ali passe. Depois o banho, os peixinhos a chapinhar na banheira, brincadeiras e risos, conversas esquisitas que, afinal, significam tanto para nós as duas, o teu jantar com a fruta escondida para não saltarmos a sopa e o segundo prato, tentar cozinhar contigo agarrada à minha perna, as molas todas espalhadas no chão, o pai que chega, a algazarra doce do costume, a nossa vez de comer ao ritmo das tuas refilices de sono, o leitinho quentinho - páááá-pa! - , mimos, tantos mimos, vejo-te adormecer e penso: És o melhor de tudo. Todos os dias penso isto. 

No outro dia, saímos novamente rumo à escola. A árvore de Natal cada vez está mais bonita com os trabalhos dos outros meninos. Casaquinho no cabide, espreitamos pelo vidro da porta e, lá de dentro, quem nos vê abre sorrisos e bons-dias apetitosos. Há abraços prontos: dos meninos e meninas de bibes e das meninas crescidas - educadora e auxiliares - que já sabem que queres ver a rua, que pedem beijinhos e turras e que compreendem, pois claro, que naquele momento ainda não há nada para ninguém.

As paredes da sala têm renas feitas com mãos pequeninas que se encheram de tinta. Weeeee! Tinta, que bom que deve ter sido! E a festa de Natal está à porta, vai haver espectáculo: o que conseguem treinar criaturinhas tão pequeninas e verdes nestas lides do show? Desconfio que é canção porque a Mel anda a cantarolar melodias desconhecidas do portefólio caseiro. Es-tou-an-sio-sa!

Uma festa de Natal e a minha bebé lá metida. Sim, isto deixa-me feliz. Vai ter que ir de azul. Pode ser até que arrisque uma fita nesse dia, porque quero que sejas a mais azul e linda de todas as bonecas lindas e azuis que vão brilhar num palco que, flutuará, com toda a certeza, com a baba de todos os pais.

E e a estrela? Qual estrela? "É para os pais levarem para casa e trazerem decoradas!". ´Ca nerveeees´:) Correria aos chineses? Papelarias? À dispensa? Ao saco dos enfeites de Natal? Ao saco das coisas que não interessam nada mas que estão guardadas porque nunca se sabe...? Ó meu Deus, a estrela da miúda. Te-mos-que-fa-zer-uma-estrela-linda! 

É o nosso primeiro trabalho de casa enquanto pais!
E por isso este post.

Por isso e porque queria fazer a apologia da creche. 

A apologia de um espaço onde há meninos e meninas que se abraçam, beijam e beliscam, que partilham mãos cheias de ranhoca - as mesmas que sentem o que é o barro e as massinhas - , que cantam e dançam, que ouvem música clássica e decoram a canção da chuva, que aprendem a comer com colher, a dormir em conjunto, o valor do silêncio, do respeito e da partilha.

Se há coisas boas em crescer num ambiente exclusivamente caseiro? Pois, com certeza - assim de repente ocorre-me dizer que a Mel está com tosse desde Outubro! Mas sou apologista da creche porquanto ela proporciona pequeninas - grandes,enormes!? - coisas que dificilmente se replicam no ambiente-redoma do ninho.

Depois de muita procura nas prateleiras "chinesas", agarrei-me a umas embalagens miniatura de queques e um saco de coisas verdes a imitar musgo, cheio de pó.
Em casa, tirei da gaveta guardanapos, cola, tesoura.

E fiz uma oração ao Senhor das Inspirações:
Ajudai esta pobre mãe no seu primeiro TPC.
Ajudai-me a criar uma estrela cintilante que orgulhe a minha menina.

Ai pá, e ele ajudou-me, caramba! :)
A Mel não ligou grande coisa. 
Mas e eu? Estou que nem posso, orgulhosa disto pá!



Xanaaaam!

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Dá de comer à menina, anda!

A menina está com fooooome!
(Então não se vê logo?)


A vontade maluca que os adultos têm em dar comida às crianças é indesmentível. E se for alguma coisinha que nunca tenham experimentado ou que desconfiem que os pais "mauzinhos" ainda não se lembraram de dar a experimentar, xiiiii, é perfeito!

Toma lá! Gostas, gostas?
A menina adoooooora!!!!
(Claro!)

Neste campo já não tenho ilusões: o que para mim é óbvio, pode não ser para a mãe ou pai que está exactamente ao meu lado, e que até tem a minha idade e uma vivência parecida. 

Para mim é óbvio que ainda não chegou a hora da Mel, com 14 meses, comer chocolate e bolos e "arraçados" açucarados. Não, ainda lhe dei a experimentar uma bola de berlim! Oooohhh!
Mas pastel de nata já provou. E gostou! E bolinhos caseiros, sem creme. Pronto.

Para mim é óbvio que ainda não chegou a hora da Mel comer carne de porco preto, batatas fritas, mariscos ou frutos secos. E também é óbvio para mim que é melhor dar-lhe iogurtes de aromas do que "suissinhos" e ou semelhantes com smarties ou pepitas de sabe-se lá o quê! 

Para beber? Água, muita água. É óbvio que refrigerantes não acrescentam nada, tem tempo de os beber e não me vou opôr, mas se vou tentar moderar o seu consumo? Vou. Darei o meu melhor, logo se vê que resultados se consegue.

Influenciada pelo primeiro ano de vida de restrição alimentar que rodeia qualquer bebé? Talvez um bocadinho, vá...

Não é fácil ouvir assim, da boca da pediatra, que a nossa menina está em condições de receber o seu diploma de emancipação alimentar!

Lembrar-me desse dia, dá-me vontade de rir.

 - Pronto, então a partir de agora, a Mel pode fazer a alimentação dos pais.
 - Ai sim? A nossa? Bem a nossa exactamente duvido, mas... Pode comer polvo, por exemplo?
 - Sim, pode. Pode comer de tudo, à excepção dos mariscos, frutos secos e ananás.

Outro assunto e volto à carga.

 - Desculpe, ainda em relação à alimentação, ela já pode comer bacalhau?
 - Sim, pode. Pode comer de tudo.

Outro assunto e ainda andava às voltas com a emancipação da criaturinha...
 - Ó doutora, e grão e feijão também? E ervilhas?
 - Sim, sim, pode comer de tudo.

Ainda incrédula, a não querer aceitar que a cria já estava crescida, vejam bem!, ainda desafiei a pediatra, como quem procura desesperadamente uma restrição.

 - E espinafres....? E....?

Às tantas, rendi-me.
 - Desculpe lá doutora, já percebeu que estou com sérias dificuldades em entender o significado da palavra tudo, hoje!

Rimo-nos, pois. 

Não terei sido a primeira mãe renitente, que custou a aceitar que a bebé, que só bebia leitinho da lata, em biberon cuidadosamente lavado e esterilizado, e que depois só comia puré com três legumes e que depois só comia 20 gr. de carne e que depois só... E que depois só... Passou a também isto, também aquilo... E hoje, isto tudo. Mesmo tudo. 

Qualquer dia, o quê?
Come caracóis e lambuza-se com uma mousse de chocolate caseira, como a mãe? Queres ver!












domingo, 19 de outubro de 2014

Felicidade e Mel



Por mais voltas que possamos dar ao pensamento e às conversas, o que esperamos todas na vida é sermos felizes. E a felicidade pode ser definida (pode?) e sentida de muitas formas.
Para mim, a felicidade não é um traço de personalidade, não é nada definitivo, é uma construção permanente que às vezes resulta, que às vezes dura dias, outras vezes minutos.

O que somos no intervalo em que não nos sentimos felizes? Não sei. Não somos necessariamente infelizes só porque não estamos felizes. Diria que há um estado de existência ameno, em que não somos, nem deixamos de ser, passa-se o tempo e nós por ali andamos.

E depois há o dia em que nos tornamos mães.
Baralha-se tudo outra vez.

Não se passa a viver num estado crónico de felicidade, não. Mas ganha-se uma capacidade imediata de relativizar o universo,  de relativizar os estados de existência amenos. Ganham-se novos materiais de construção e novos braços para pegar na pá.
E tornamo-nos esponjas de sorrisos com dentinhos de vários tamanhos, esponjas de gargalhadas inocentes acompanhadas de palminhas descompassadas, esponjas de beijinhos doces mandados em mãozinhas XS. Derretem-se os filtros e, sem mais, nem menos, somos felizes.

Aqui no blogue, ainda não tinha tido oportunidade de celebrar o primeiro aniversário de quem me provou que a felicidade, às vezes, pode ser objectiva. E ter nome.


Mel.







segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A creche - É possível sermos felizes


De certeza que a couve-flor está a mirrar na água a ferver. O cheirinho da sopa de pessoas pequeninas sente-se logo à entrada e não há qualquer hipótese de alguém se esquecer que entrou num pedaço de mundo diferente.

Levo no meu abraço tudo o que importa mais ao meu coração. As bochechas da Mel já estão ensopadinhas de beijos de mãe que a toda a hora percebe que o melhor do mundo já aconteceu, e em tão boa hora. És linda filha, a mais linda, tu sabes. Serás sempre, não há nada comparável a ti.

Paramos quase sempre para cumprimentar a flor gigante (aos olhos da Mel) que está colada no vidro, e ela estica o indicador e exclama: "Uuuhuuu. Mnhami-tapi?". Respondo quase sempre: "Pois, filha, é a florinha". 

Por vezes subimos o primeiro lanço de escadas aos saltinhos, até ver os peixinhos coloridos feitos com cd's. Ai tão bonitos os peixinhos. Como fazem os peixinhos, filha? Baque-baque. Ela observa-me com atenção, como sempre, e diz de sua justiça. Na verdade, não sei como fazem os peixes, mas é importante que também eles ganhem voz, para que ela se lembre mais facilmente deles. 
Esta coisa de querermos que os filhos conheçam os animais, os sons das coisas, as cores, onde está a tontinha, o olho e a "babiga"... É tão humano e giro.

Ainda antes de abrir a cancela do primeiro piso, paramos novamente quais visitantes de galeria de arte para observar um arranjo outonal de parede, feito de folhas secas. Um dia ajudas a fazer um assim também, filha. Ela quer puxar os fiozinhos, sentir o castanho, a cana... 

Desde que entrámos que só se ouve chorar. Quantos choram ao mesmo tempo hoje, meu Deus?
Até a mim já me apetece chorar!, brinca uma educadora. É segunda-feira e o fim-de-semana trouxe mimos reforçados a todos, como pode isso acabar assim, pacificamente? 

Deixar a bebé na sala não é entregar a bebé. Só percebo isto agora, que sou mãe, não há hipótese de o entender sem viver a experiência. E deixar a bebé é, em si, uma cerimónia de despedida diária que, mesmo que só dure três minutos, é cheia de angustiazinhas e felicidades. Sim, tudo ao molho. Transferir o colo é falar do dia anterior, do pedacinho de manhã que já se passou em casa, do humor com que acordou, das gracinhas, do que comeu, da febre, da tosse e do cocó. É ficar apertadinha quando faz um beicinho a pedir "não me deixes aqui, quero estar mais um bocadinho contigo mãe" e algo circunspecta quando estende os bracinhos para o colinho de serviço e rapidamente se distrai com os passarinhos, assim, sem olhar para trás, nem deixar cair uma lagriminha...

Olho para o cabide que diz Inês Mel, pouso a mochilinha cor-de-rosa de saia de bailarina, passo os olhos pela ementa da semana e espreito-a novamente para ver como ficou. E ela brinca. E ela ri. E ela fala, diz tantas coisas. E aponta. E faz-se ao mimo. E sorri.
E eu? Eu, quase que me desfaço.

Eu, mãe de primeira viagem, fiel companheira da minha bebé até aos 11 meses, consigo hoje encher-me de felicidade quando a vejo brincar e sorrir sem me ter por perto (fisicamente). Sim, é mesmo possível isto. Estamos a crescer as duas.

O efeito "pais voltem todos imediatamente senão choramos para sempre" parece ter acalmado. O silêncio normal de gritinhos felizes venceu a saudade.

Desço tudo outra vez - será que, inconscientemente, digo até logo aos peixinhos cd's também? - e parece-me agora que, para além da sopa de couve-flor, também vai haver carne assada!

Até logo!
Tratem bem da minha bebé mimosa.




segunda-feira, 22 de setembro de 2014

A minha avó espantalho


A torrada queima na pontinha e o cheirinho a esturricado espalha-se pela casa, juntamente com o café quente que tem ideias de sair da chávena, em jeitos de vapor. Preparamo-nos  para começar um sábado de algarraza, bebés que choram e riem, menino que quer queijo no Cerelac. Onde estão os bolinhos da D. Coisa, os de canela, escondam-nos e fiquem com eles só para vocês...! Começa a provocação.

E chegas tu.

Calças de pijama, saiote e saia por cima, vestido de seda a agasalhar tudo com que já cobriste o corpo confuso. (Falta aqui um coiso...aquilo - polegar a esfregar no indicador -  um agasalho?) O casaco do genro, pesado, gigante na proporção de carnes tão pequeninas e murchas, a compor o modelinho. Depois, a mala de mão, sempre a mala de mão, como quem está de partida, sempre de partida. Para onde? (Quando não se sabe de onde se está a partir, nem que tipo de existência já somos, é possível traçar um objectivo, ou um destino?).

Vemos-te assim, qual espantalho pequenino, avó.  E queremos muito rir, de tanto querer chorar, de tanto não saber o que dizer ou sentir. De tanto querer que chegasses à sala e soubesses quem somos. E que a saia não se veste com o pijama por baixo, avó.  E que o casaco do marido da tua filha não é adequado para ti, avó.

Então, hoje não vou para o trabalho?
Hoje é sábado avó, não vais para o "trabalho". Hoje ficamos aqui todos em casa, senta-te aí, senta-te.

Nãããoooo! Avó não tires a bebé do parque, tu já não podes com ela, ela cai, tu cais, aleijam-se.
Oh, oh, tão lindo, este meninooo, diz  surpresa, de olhar deliciado.
Avó, dá-ma cá. É uma menina avó. Senta-te aí que eu ponho-ta no colo um bocadinho, mas depois ela vai para o parque e deixa-a ficar ali a brincar, tu já não podes...

Nãããão! Avó, então?
Tu já não podes... Tu cais, ela cai....
... É uma menina... Não te disse já...?

Nãããoo. Avó! 
Deixa estar a menina!
.. Tu já não podes com ela, ... é perigoso. Não te disse já que... 
Não posso porquê? Não posso pegar no menino? Anda cá bebé.... E estende também ela os braços, uma bebé tão velhinha, vestido de espantalho. 

Acabou-se! A menina vem para o meu colo.
A avó está triste. 
Eu sei, mas que posso eu fazer? Ela não compreende.... que já não pode, que podem cair as duas, que é perigoso...
Avó! Olha, tu já lhe pegaste um bocadinho, não já? Mas não podes tirá-la assim do parque, porque é preciso muita força e tu já não podes, é perigoso para as duas. Percebes?

Pois.
Olha um menino tão ´benito´, tão ´benito´. Oooh...
Pega na mala e aproxima-se da porta, estará na hora de ir para o trabalho, alguém a levará, alguém a irá buscar. 
Porque tardam? Hoje não vou para o trabalho? Quem é esta gente?
Olha, um bebé! Tão ´benito´, é teu?

O sol, na nossa casa de meninas, cheira a pinheiros e brincadeiras.
Hoje, brincam os nossos filhos e nós vivemo-nos ali há décadas,  ainda a perceber como é que passámos de filhas com pais, a mães com filhos e avós,  assim, num abrir e fechar de olhos. E com avó velhinha, aquela que é hoje a bisa dos nossos filhos.

Para ela, o fim do dia não pode estar longe e, por isso, as portadas da casa têm que se fechar. 
Primeiro as do meu quarto, depois estas todas que para aqui estão. Está de noite, não percebo porque é que esta gente não vai embora!

Mããee! Deixe estar as portadas abertas, ainda é dia, não vê? Está sol. À noite é que se fecham as portadas, deixe estar isso aberto e venha fazer o seu croché aqui para o pé da gente, vá.
Olha lá (diz baixinho), esta gente não se vai embora hoje? 
Não mãe, elas dormem cá com os pequeninos, só vão embora amanhã.
E onde dorme 'isto' tudo?
Não se preocupe que elas têm os quartos delas. 
Oooh, olha ali outro bebé!
São os seus bisnetos! Então, olhe lá, acha que eles são filhos de quem?
Pois.
Acha que eles são filhos de quem, mãe?
Pois. 'Nã' sei! E ri-se, como uma menina traquina que não entende conversa de adultos.
São filhos das suas netas, olhe aqui!
Hum, pois, pois. São bonitas! Bom, vou me 'adeitar'. Esta gente não se vai embora? Está de noite.

Oh avóooo. Deixa as portadas abertas, que ainda é de dia, avó.
Avó?
Hum? 
Deixa as portadas abertas que ainda é de dia.
Vou-me 'adeitar'.
Está bem, vai lá. 

Sei que não sabes que é Verão mas sabes como te chamas. 
Como se chama dona Catarina, perguntam-te muitas vezes, nos últimos anos. Ca- caaa... ta...catariii.... Eu? Chamo-me Catarina-da-Silva-Pereira! Respondes quase cantando.

Mas não te lembras, com certeza, que por vezes te chamava pombinha, na brincadeira, quando telefonavas aqui para a minha casa. Sei que sabes que esta casa é um sítio onde estás bem, mas não sabes que tu também já tiveste uma, onde tinhas um marido e recebias os netos com pão e fiambre fresquinho, que compravas com dinheiro, avó.

Di-nhei-ro! Dinheiro é aquilo que te esforçavas muito por poupar, que depois passaste a achar que não tinhas de todo e que fazia falta para alguma coisa que já não sabias bem o que seria e que hoje não fazes a mínima ideia se é coisa que se coma ou se enfie nos pés.

Sei que o teu coração ainda sabe caminhos para o amor e, sabes uma coisa avó, isso faz-me muita confusão. Como pode alguém gostar de outro alguém sem ter memória da história que o desenhou? E sobre os dias em que acordas de chorinho enrugado de menina perdida? Tanta lágrima desnorteada. Como chora um coração uma filha que a cabeça esqueceu?

Amanheceu novamente. Tudo dorme ainda. Ela já esqueceu que dentro dos quartos de porta fechada há gente que, por acaso, são as netas com os maridos e os respectivos filhos que, por seu lado, são seus bisnetos. Que são bebés que ela já conhece e que vai chamar menino à menina, e menina ao menino.
Com o roupeiro ali à mão, adiantou trabalho àquela pessoa simpática que todos os dias cuida dela, e tratou de se vestir. Calcinhas quentinhas, saia, camisinha apertada até cima, colar de pérolas e até brinquinhos. Tudo por cima do pijama e de um soutien algures empoleirado num braço.

Olha para as escadas que dão acesso ao primeiro andar da casa e bate palmas, como quem chama, sem chamar. Porque não sabe quem está a chamar, nem porquê. Tem fome. 

Dos quartos começa a sair a algazarra em forma de gente pequenina.
Oooohhh, olha um, dois bebés! Tão ´benitooooss'! São de quem?
Sorri. E pousa a mala de mão um bocadinho no chão. 
O trabalho pode esperar. 












terça-feira, 29 de julho de 2014

Carta a quem vai cuidar da minha filha



Está em boa idade. Vai-lhe fazer bem, a ela e a si. Só custam os primeiros dias.
São coisas que se dizem, os ouvidos lá ouvem.
Quando nos preparamos para colocar a nossa bebé nos braços de outros alguém, queremos muito, muito, que o nosso nariz fique como o do lobo mau do Capuchinho Vermelho:
"Graaaande, para te poder cheirar melhor minha filha!".

Começam as despedidas silenciosas de um tempo de total dedicação, de um ano que já quase passou, e que foi tão intenso, tão rápido, irrepetível. Começam as saudades a provocar dores cá dentro. Deixa-me cheirar-te, anda cá, hoje adormeço-te ao colo, só porque sim.

A prever que o tempo vai ser curto na hora de te deixar, que não vai haver tempo para fazer uma adaptação gradual como desejaria, imagino uma carta para dar a ler a quem agora vai fazer o meu papel durante o dia. Não tem nada a ver com os questionários para melhor conhecer o bebé que fornecem na altura da inscrição. Nãããooo.

O que vos quero dizer é que é preciso ter cuidado com  a minha bebé.
Ela é mais doce que o Mel. É bem capaz de sorrir, com os seus três dentinhos de três tamanhos, enquanto pousa a bochecha no ombro e esconde o olhar maroto. Complicado.
Se fizerem o som de um cavalinho, começa a dar saltinhos, de braços esticados na vossa direcção: está a pedir que assumam o papel do animal, têm mesmo que saltar, enquanto ela se ri à gargalhada. É preciso saber lidar com isto.
Contem-lhe uma pequena história, imitem o som dos animais, toquem à campaínha no seu nariz e peçam para entrar, que ela bate palminhas e, às vezes, cuidado, fica tão, tão feliz, que é bem capaz de vos apertar as bochechas entre mãos, aproximar o narizinho e vos dar um beijinho. Lá está, estejam preparadas. 
Na hora das refeições não percam muito tempo entre colheres de sopa e fruta, que ela gosta de comer tudo seguidinho mas, se estiver algo pensativa, cantem-lhe "o meu chapéu tem três bicos" e quando fizer aquele sorriso rasgado, aproveitem e ponham outra colher lá para dentro. Técnica difícil esta, mas com o tempo, entram no ritmo.
Quando acordar dos seus soninhos e vos estender as mãos, não receiem, quer só dar-vos o maior e mais cheiroso abraço de todos.
Qualquer dúvida, telefonem-me. Sim, telefonem-me logo que eu... 
... Estou habituada a tanta doçura.

Assinado:
Mãe da Inês Mel.

Acabo de ver a minha caixa de email.
Ainda não é desta que consegui um trabalho.
Não sei se ponha o capuchinho vermelho e me esconda na floresta por uns minutos ou se me vista de lobo.
Escolho o lobo, mais uma vez. Preciso de um nariz graaandee, como o do lobo mau. Para inspirar muito fundo e voltar a expirar.

Life goes on.


terça-feira, 20 de maio de 2014

A menina


Vou ali à menina, já venho.

Ela não sonha que cá por casa lhe chamamos, carinhosamente, assim. Há poucos meses descobri que se chama Ana mas, cá por casa, continuamos a chamar menina à senhora da fruta. Afinal, é assim que ela me começou a chamar desde os primeiros dias, quando ainda não sabíamos nada uma da outra. 
"Então, m´níííína", 'tá boazinha?", perguntava-me,  com sotaque "lá de xima" bem carregado. E, portanto, eu, desconhecendo-lhe o nome, adoptei para ela a mesma medida.

É tosca a barraca onde a menina vende os legumes, as frutas e as flores. Tão tosca que não apetece sair dali, tão grande é a proximidade que naquele bocadinho se respira, entre os cheiros adocicados das maçãs de Lamego, as laranjas algarvias - doces que são, prove lá! -  e das batatas doces de Aljezur - dizem que são boas, eu cá não gosto de nenhuma!.

Ali há coisinhas que lembram uma aldeia. Há feijões e grãos em baldes, com embalagens de comida take away a servir de medida, há "promoções baratas" escritas num  qualquer pedaço de cartolina com uma setinha para baixo, um carrinho de hipermercado saído não sei de onde só com cebolas,
há uma bancada improvisada forrada a papel de embrulho natalício (que mimo!) e também, claro, bolinhas brilhantes alusivas à quadra, que ficaram esquecidas no tecto. Estas coisas, convenhamos, aconchegam uma pessoa.

[Telefone]
...Olhe lá, onde é que você foi arranjar aquelas batatas doces do outro dia? Estabam quase todas todas podres homem!Tive que as escolher! Puta que o pariu!
Outra coisa, amanhã a ver se bem cedo! O quê? Olhe bocê num me diga isso, que no outro dia beio cedo, agora que lhe estou a pedir se bem tarde, dou lhe um puto dum amanho que bocê bai ber!
E quero uma placa de beringelas taméim...

Castiça que só ela. 
Ao fim de uns dois anos de convivência, sei o essencial sobre a D. Ana. Por exemplo, que é muitíssimo trabalhadora, "balentona" mesmo. E que não suporta que os clientes vão ao engano!
De navalha sempre à mão, é vê-la:
- Se é doce este melão, prove lá!
- Estes figos? Bons que são! Coma lá este para ver!
- Esta melancia é das docinhas, tome lá (e entretanto, já tirou pevides e tudo!)

Acho que ainda hoje a menina não sabe que me chamo como ela. Mas se ela se lembra que teve que ir à sua despensa buscar coentros porque eu, grávida, queria mesmo muito fazer uma açorda e já não havia nada? Lembra-se bem, pois.  Se ela se lembra de perguntar sempre pelos meus "paizinhos" que lá foram duas ou três vezes estes anos todos? Lembra-se, sim senhora. Se ela se lembra que a minha pequenina é três dias mais velha que a sua neta? Com certeza!

Ai, como ela está, gordinha, gordinha! Ela é sempre assim mansinha? Quando vier o b´rão, bai ber, bai parecer uma bassourinha!

Pesa a abóbora e diz-me: São 64 cêntimos.
Passo-lhe as moedas. Sai esbaforida por detrás da vitrina, aonde se dirigiu para fazer o troco.
Atão, disparate, ia lá cobrar agora a abóbora da m´nina. Nem pensar! É para a sopinha dela, leve lá.

Desde que a Inês começou a comer sopas acho que nunca mais consegui pagar a abóbora.

E quando ela começar a andar e a falar, ela que me benha cá pedir 'mananas', que eu dou-le, coisa tão boa, tão gordinha! É a cara do pai...





terça-feira, 6 de maio de 2014

Um sobrinho, dois sobrinhos


Talvez uma das coisas mais fantásticas do corpo humano seja a capacidade de gerar e desenvolver sentimentos. E se eles têm o motor no coração, como dizem, é então admirável a capacidade que ele tem de se encher e de se esticar.
Já pensaram nisto?

Uma das alturas em que o coração estica é quando a família cresce. Nascer mais alguém que pertence à família e, portanto, também um bocadinho a nós próprios é, lá está, fascinante.
Agora mesmo (daqui a bocado, daqui a umas horas...), está um bocadinho da minha irmã reinventado a pisar o mundo pela primeira vez. Uma extensão dela, ali, em forma de bebé, de gentinha pequenina. E, portanto, sinto-me a esticar, a esticar... Não dói, só é profundo e intenso. Há sempre elasticidade infinita para abraçar mais alguém na nossa vida. Ainda para mais, quando esse alguém é um pedacinho da minha irmã e um pedacinho do meu sobrinho, de agora em diante o mais velhinho. E, portanto, também é um pedacinho meu. E o diminuitivo aqui não serve para diminuir absolutamente nada. É tudo muito grande no dia em que a família cresce.

A esperança é grande.
Bem-vindo pedacinho de gente tão grande, senta-te aqui no meu abraço.
Imagino-te como o teu mano, perfeito.



quarta-feira, 30 de abril de 2014

Chinesices para a bebé: Ai-aiiii!




E eis que aos oito meses...
Ela rebola e rebola sem parar. 
Senta-se como as senhorinhas mas cansa-se como os bebézinhos e... pumba, cabeçadas no chão.
Os pés começam a ser tão exploradores quanto as mãos, e as mãos, ora objectos de apurada observação, ora fiéis aliadas para alcançar o mundo, querem tudo, já.
Às tantas, torna-se interessante montar um "estendal" amortecedor de quedas na sala, qual palco permanentemente montado para a pequenina cá de casa. 

Queremos um tapete! Queremos um tapete! Queremos um...
Procurei-os em várias lojas, encontrei pouca oferta e, por norma, cara, atendendo à dimensão do dito cujo, e à finalidade da coisa em si. Caramba, 30 euros por um bocado de tapete colorido?

Sei que, em tratando-se de crianças, temos que considerar que um tapete não serve para amortecer, aquecer ou ser acolhedor. Basicamente, um tapete vai servir para que serve tudo o resto para um bebé: para explorar, para brincar, para meter à boca, para trincar, puxar, esmigalhar... Bem, para tudo. 

Daí a relutância em ir aos chineses. Mas o insucesso da procura acabou por me conduzir até lá. E foi lá que os encontrei, bem baratinhos e coloridos. Tal e qual o que eu procurava, a um preço razoável, e certificados! 
Quem nunca ouviu dizer que os brinquedos dos chineses são isto e aquilo, pardais ao ninho? :)

Pois é, podem-me dizer que a certificação é "treta", que é falsificada... mas eu prefiro acreditar, até prova em contrário, que os fabricantes destes produtos não se arriscariam a falsear símbolos de segurança e qualidade! E que as mil entidades que existem para fiscalizar estas coisas andam a cumprir com a sua missão!

E nas lojas mais conhecidas e moderninhas dos centros comerciais, todos os produtos são 100% fiáveis e fiscalizados?

Ora bem, comprei-o. Aliás, comprei-os! Dois, por 20 euros!
E fui pesquisar o significado de alguns dos símbolos de qualidade e cá está: serviço público! 

CE -  Indica a conformidade de um produto com os requisitos estabelecidos em directivas comunitárias, nomeadamente do que concerne à saúde e segurança dos utilizadores e consumidores

TUV - Organismo de certificação que actua a nível internacional

CCC - Certificação chinesa (ahaha, não consegui saber muito mais!)

Para além destes (que se vêem na fotografia), existem outros tantos associados à conformidade ambiental do produtos.

Já sabem, num chinês perto de vocês :)

PS - Eu realmente, em vez de fazer publicidade ao Toys'r'Us ou coisinha que o valha, meto-me com os chineses que nem me sabem ler! Opções! :)

terça-feira, 1 de abril de 2014

Colecção Delícias # O Bom-dia #

Entro no quarto e, a meio do corredor, vou-me logo anunciando, com uma voz açucarada: "Booom-diaaaa". Não o digo logo ao pé da porta, que está sempre aberta, porque não quero perder a tua reacção à minha voz.

E como é?

É das coisas mais bonitas que pode haver. Ainda de olhinhos fechados sorris. Juntas as duas mãozinhas e entrelaças os dedinhos uns nos outros e rasgas ainda mais o sorriso, de tal forma que te vejo logo as gengivas despidas. De seguida, invariavelmente, procuras-me no ar e eu, claro,  já tenho um dedo à disposição para agarrares e levares à boca. Abres então os olhos e eu... Abro ainda mais o meu sorriso para ti. Acho que durante uns segundos, o mundo pára para nós. Ou nós paramos o mundo, não sei. Novamente, dou-te os bons-dias e pergunto-te se dormiste bem. Novamente sorris e, às vezes, começas a dançar deitada: abanas a cabecinha, encolhes os ombros à vez e as perninhas, ainda por debaixo das mantas, acompanham o ritmo. Noutros dias ainda, sacas de todas armas de charme possíveis: dás gritinhos, conjugas bábá-bááásss,fazes bolhinhas, e os teus olhos brilham tanto que receio não me conter na força do abraço que te vou dar logo a seguir.

Depois, levanto-te e aconchego-te no meu colo e, bochecha com bochecha, olhamos lá para fora: "Já viste como está o nosso dia hoje?". Não me perguntes como, mas sinto sempre que me dás resposta.

Todos os dias percebo que não é preciso falar para poder amar e dizê-lo a alguém. És insuperável nisto.  Sempre a aprender contigo.

Pode alguém sobreviver a este cenário sem derreter um bocadinho? 

sexta-feira, 28 de março de 2014

Pós-parto: recuperar peso (o antigo)

Mais cores no prato (mais legumes) e  sopa antes da carninha ou do peixinho são duas das coisas "novas" que passaram a fazer parte da minha ementa, depois da temporada que passei com a nutricionista. 
Basicamente, a maioria das dicas que segui e que aqui divulgo são hábitos alimentares saudáveis que deveriam ser seguidos desde sempre mas... como nunca é tarde para mudar... :)

SOPA
Ao almoço e ao jantar, podendo ser a refeição principal à noite. Cenoura e abóbora podem coabitar mas quanto à batata... o melhor é substituir por outro legume, ou mesmo batata doce (é verdade, é menos calórica, não fazia ideia!!!).
Cá em casa comia-se sopa de Outubro a Maio, três a quatro vezes por semana. Agora, vamos tentar eliminar a sazonalidade da dita cuja. Quanto à regularidade, é raro não haver o precioso líquido no frigorífico. Fantástico, não é?
E dada a necessidade de variar, comecei a inventar mais receitas, algumas com sucesso, outras menos, e a incluir legumes que até então não entravam no tacho. O creme de brócolos com curgete é um exemplo disso! Fiz para a Mel, provei e... não é que gostei? Fico mesmo contente quando consigo diminuir a esquisitice :)

LEGUMES
Deverão ser os fiéis amigos da carne, ou do peixe, da batata, arroz ou massa. Ou seja, sempre no prato, e com destaque!
Sem imaginação e tempo, tenho experimentado tudo o que é mistura congelada: chinesa, macedónia, para wook... E há coisinhas bem boas. A grande vantagem é que dá para fazer tudo de uma vez e ir comendo durante dois ou três dias, sem perder o sabor. Até já o brócolo vai :)

MANTEIGA
Esquecê-la. Mas... no pão, tão boa.. Esquecê-la.
Se a dor for muita, até se admite o queijo e o fiambre por cima. Mas a dita cuja, é que não.
Confesso que esta mudança doeu um bocadinho mas é tudo uma questão de hábito. Numa tostinha com queijo fresco até acho que não se nota a sua ausência. Numa torrada, bem, cof, cof. Assim sendo, aos fins-de-semana estabeleci que não há limites:) Oh felicidadezinha!




CHÁS E COMPANHIA
Dois litros de água por dia é o ideal. Para quem não gosta de água, experimente chás. Sem açúcar, claro.
Água de Inverno é coisa que me custa, por isso, comprei tristemente três ou quatro variedades de chá, uma vez que é coisa que também não me seduz. Well, morno sabe-me tudo ao mesmo. Bebo e pronto. E sempre aqueço :)
Quem precisar de um diurético, experimente o de Cavalinha, um litro durante 15 dias, uma paragem de mais 15, e por aí adiante.

SEMENTES DE LINHAÇA
Estas sementes podem ser incluídas em vários pratos. Por aqui, consome-se moída e dourada, na sopa (uma colher de sopa). A textura fica mais grossa, dá uma sensação da saciação e ajuda o trânsito intestinal. E não, não altera o sabor do resto da comida.
Para engrossar batidos de fruta, em vez da bolachinha Maria (oooh!), por que não farelos de trigo?! Já comprei. Qualquer dia uso, a sério.


AÇUCAR
O menos possível.
As meias de leite são a minha perdição, uma de manhã, uma ao lanche, faça chuva ou faça sol. Com açucar, claro. Well, tenho diminuído a quantidade, não sei se algum dia chego ao zero, mas diminuir já é sinal de boa vontade, certo?!

BARRIGA INCHADA
Quem tem? Quem tem? A origem do inchaço abdominal pode ser leite e derivados, a alface ou alimentos com glutén (aveia, trigo, cevada ou centeio). A eliminação de cada um destes alimentos, à semana, pode ser uma boa estratégia para descobrir o "culpado".
Nota: experimentei o famoso leite de soja e é coisinha que não consigo gostar de todo. Nem com café, nem com um pouco do outro leite, muito menos, natural. Sabe-me a pudim enjoativo e pouco há a fazer. Mas... daqui a uns tempos experimento outra vez! :) Entretanto, a próxima aquisição será leite sem glutén.

Boa sorte para todas :)
Boas torradas e boas meias de leite!

quinta-feira, 27 de março de 2014

Chora lá, vá - parte II


[Continuação]

Nada é definitivo, apesar do cansaço, muitas vezes, o fazer parecer e nos dar uma perspectiva de drama profundo. Em se tratando de bebés, menos razão ainda há para delinear certezas absolutas.
Habituada a uma bebé de noites tranquilas e seguidas praticamente desde os quatro meses, bem como de sestas, na maioria das vezes, pacíficas, tremi nos últimos dias. Nem sei quantos foram, pareceram-me muitos, mas talvez seja só o cansaço a abusar de mim. A Mel continuava uma bebé exemplar à noite e boa parte da manhã, mas depois entendia que não dormia mais até estar escuro! 

Resistia, resistia, como se uma dor aguda a acompanhasse. E depois de muita persistência, colos aflitos e técnicas mais ou menos mirabolantes, adormecia.. por 15 minutos! Xaraaam!
Fiz-me então aos livros - o que diz o pediatra Mário Cordeiro sobre isto?-  e à Internet. Percebi que é normal, claro, e que, na prática, até estava a seguir o caminho como é suposto. Paciência e tranquilidade, é só o que é necessário.

Hoje, decidi seguir a estratégia de a meter na cama dela (os sonos da Mel passaram todos a ser feitos na cama desde que a mudei para o quarto dela), como sempre, com os seus bonequinhos e tudo a que tem direito e gosta, mas com o estore mais para baixo, para dar aquele "ambientezinho" recolhido :)
Barriguinha cheia, mãozinhas e boca lavadinhas, fralda limpa, beijinhos aqui e acolá, caminha... viro costas e vou almoçar.

Não sei se foi isso, ou se simplesmente, o acaso, mas a Mel, depois dos guinchinhos habituais, adormeceu. Há mais de uma hora que dorme serena e tranquila. E estou contente, por ela, e por mim.
Vou confirmar e fico deliciada a vê-la de bracinhos abertos, com três bonequintos em cima dela, ainda "quentes" da batalha que travou segundos antes de se dar por vencida.

Apetece-me chocolate quente e sofá. E dar-lhe uma papa especial ao lanche em jeito "obrigada filha". Mas diz que não se deve elogiar o que é suposto ser normal, para não dar uma ideia errada às crianças. 
Oh, não quero saber. Dou-lhe cá uma beijoca e depois arranjo uma musiquinha das minhas e, lá pelo meio, soletro o refrão: "O-BRI-GA-DA-FI-LHAAAA- lé-lé-lééé".




quarta-feira, 26 de março de 2014

Chora lá, vá



O choro do bebé é assunto polémico. Difícil para quem tem que lidar com ele, como é o meu caso neste exacto momento. Eu na sala, ela no quarto a chorar que nem uma doida. Isto depois de várias tentativas para a adormecer. Ora sozinha na cama, com a bonecada, com música, ora no colo, em silêncio, ou embalada com uma música que não me sai com energia, ora sentada ao meu colo, ora de barriga para baixo. Mudo a fralda. Tudo igual.

Chora como se houvesse alguma coisa mais que o sono a incomodar. Alguma coisa muito séria. Mesmo. Mas não há. A minha experiência de quase sete meses de mãe já me permitem conhecê-la ao ponto de achar, não com certeza absoluta (nunca as vou ter), mas com muita convicção, que está cheínhaaa de sono. Mas que se recusa a aceitá-lo.

Nestas alturas penso várias coisas. Até quando vai durar esta fase de adaptação dos sonos? Vou aguentar com a paciência exacta, na hora certa? Será que vai deixar de ser aquela bebé calminha que foi até hoje? O que é que mudou para ela, está, pura e simplesmente, a crescer e não sabe a quantas anda? 

E se já estivesse na creche, seria melhor para ela? Sei que uma birra destas numa creche é "resolvida" não com colo meiguinho e aflito, mas com espírito de resistência: a bebé na caminha, que lhe há-de dar o sono! Não acho mal, mas custa muito. O choro de um bebé é difícil de ouvir, o da nossa bebé dói.

Parou o choro. Só os soluços de uma hora de 'manif' se ouvem de tempos a tempos. Vou espreitar. Deve estar linda e serena, agora que já vincou posição. Agora que já me estrafegou por dentro.
Vou espreitar.




segunda-feira, 24 de março de 2014

Anita vai à nutricionista partes II e III



Se na primeira consulta de nutrição (a primeira consulta foi assim), entrou uma Anita de vestido de malha (sempre dá para esticar)...
Na segunda... Bem, na segunda, entrou uma Anita de calças de ganga! De-gan-gaaa! As minhas calcinhas de ganga de sempre, "estrelicadinhas", velhinhas, tão, tão lindas, que eu tinha deixado de vestir ao quarto mês de gravidez (já com um extensor adaptado), mais coisa, menos coisa.

Dá para perceber, portanto, o orgulho que se apoderou da minha pessoa?

Fiz, portanto, uma entrada portentosa na sala onde estava a minha nutricionista, Tânia Camões:
(Também querem? Então vá: Falem com ela aqui!)

Então Ana, como é que está?
Como é que EU estou?? De calças de GANGA!!!

Oh felicidade!

O Natal colou-se à dieta mas, ainda assim, a balança foi simpática para comigo. Os objectivos estavam mais perto de concretizar e, desde logo, uma mudança grande a assinalar: o nível de água no organismo tinha subido bastante! Oh cházinhos, oh cházinhos! Com um mês de convivência intensa - cerca de dois litros por dia - confesso que não fiquei fã, nem com um ódio novo, simplesmente, tolero... e bebo.

Combinámos mais coisas para o próximo encontro, mantendo os objectivos iniciais.
E em Março, a coisa deu-se!

Desta vez, entrei novamente meio disfarçada de pecadora ranhosa. Tinha razões para isso: não fui assídua com a linhaça nem piquei diariamente o ponto no reino das sopas. Entre outros pecados. Quando a cabeça não tem juízo...

Ainda assim, os esforços feitos sem disciplina militar, deram resultado. A balança mostrou-me claramente que, para se emagrecer, não são precisas dietas loucas ou sacrifícios monstros. Naturalmente, que cada caso é um caso, mas desenganem-se aquelas que, como eu, muitas vezes adiam mudanças alimentares por pensarem que todas nos trazem dores insuportáveis e tristezas profundas. Em quatro meses consegui recuperar o meu peso habitual, diminuir a massa gorda, aumentar a massa magra e a água corporal. E olhem que até fui mal comportadinha, de vez em quando. E olhem que só comecei a fazer exercício físico há duas semanas!

A experiência de ser acompanhada por uma nutricionista durante quatro meses foi nova e devo dizer que recomendo. Por várias razões:

- Ter que prestar "contas" é motivador e disciplinador
- Ter alguém com (todo) o conhecimento de causa a puxar por nós é completamente diferente do que seguir, de forma solitária, as dicas de uma revista ou livro, ou a receita da amiga da amiga...
 - Aquilo que se aprende numa consulta de nutrição está longe de se esgotar esgotar ali, serve para a vida. E foi isso que aconteceu comigo. Não tendo seguido propriamente uma dieta, adquiri hábitos alimentares saudáveis que serviram para atingir os objectivos pós-parto, mas também para encarar o Verão, e depois o Natal, e depois...

Está bem, querem saber o que é que mudou? E o que é que ainda está para mudar no prato cá de casa?
Vou escrever um post sobre isso. Assim a Mel o permita, claro :)


domingo, 9 de março de 2014

Este concerto não é para novos

Quando há espaço para uma pessoa se mexer e escolher o lugar de onde quer ver o concerto, instala-se uma certa apreensão. E logo a seguir percebe-se que aquele concerto é diferente quando se começa a olhar com um bocadinho de atenção para a plateia circundante.

Espera lá, este concerto não é para novos! 

Olha aquele ali de fato e gravata! Olaré, isto promete! Então e este grisalho de óculos à Avô Cantigas aqui, pá? De lenço ao pescoço e cabedal. Upa, upa! E como ele se mexe! 
Eles chegam e é a loucura. Queremos a casinha-queremos os contentores-queremos o homem do leme-queremos a Maria...
Com mãos de veludo. Pronto, estou louca, queria muito esta. Negras como a noite, tu deste-me tudo, e eu partiiii.. Teu-neu-neu-neu-neeeuuu... Tudo o que é hormonas abaixo dos 40 começa a beijar-se. Estavam mesmo a pedi-las. Quem não beija, levanta os braços e fecha os olhos. Sonham com beijos, mas fazem-se de rijos.
Está um ambiente perfumado e não são os novos a espalhar o aroma. Este concerto não é para novos, já disse. O avó cantigas rockeiro vibra e dança como só ele se atreve. Há um concerto especial na cabeça dele mas os novos, os poucos que por ali andam, parecem não entender. Riem-se do avôzinho enquanto arriscam mexer o pezinho com mais pujança. E pouco depois param. Não têm estaleca para acompanhar a personagem, envergonhem-se.
Ai os contentores! Grafittis, com neónes, luzes, que luuuxooo! O palco transforma-se e, já todo poderoso, dá ainda mais poder à banda que, ó meu Deus, como é que eles ainda conseguem, com aquela idade pá? Estão cheios de poder. Cheínhos.
Alguns pais levaram os filhos. Ou os filhos levaram os pais, forçados, claro. Pior, alguns pais, já com filhos, estão a dançar, de copo na mão, como quem está num cocktail à beira da piscina, e um ar ligeiramente embriagado. E que estranho! Os pais também dançam? E bebem? Hum.
O ar está carregadíssimo meninos! Estamos todos a ficar com uma moca colectiva!

Resistimos o mais que pudémos: como estará a menina? Manda mensagem a ver se já dorme! Já? Sim, já. Só para saber se... está a chorar, ou só acordada, à nossa espera...

Quero trabalhar!Mas está tudo cheioooo, tudo feiooooo, tudo feeeioooo.... Ai porra, puseram o dedo na ferida.
Há quem, ao nosso lado, decida meditar, sentado no chão, com direito a dedinho indicador colado ao polegar e tudo. Olha que bem. Rapidamente inventamos-lhe um desgosto de amor e a necessidade de mastigar a dor daquela maneira, meio insólita, meio cómica. Olha a menina da Super Bock, como ela vem, desgraçadinha! Será que ainda sabe fazer trocos? Será que só bebe, em vez de vender? Como ela está, não vende mais nada hoje!

Já respondeu? Não? Hum, deve estar a dar luta, ó caraças! Estará a chorar há muito tempo? Manda mensagem ao teu pai, pode ser que responda! Só à meia-noite! Oh, chato! Está bem.

Telemóveis, muitoooosss. Fotografam o palco sem conseguir captar um quarto do que ali está. Mas é preciso publicar qualquer coisa no Facebook, anda! Vamos tirar uma selfie, vamos, vamos?
Apetecia-me escrever, aqui e agora, chego a casa e esqueço-me deste cenário.
Olha o avózinho, roda sobre o pés e tudo! Espectáculo. Os novos, poucos, deliciam-se e, secretamente, invejam a energia. Sim, os novos saltam, mas só no início. Sim, os novos batem palmas e gritam bem alto as letras - Vai ficaaaarrr tudooo bem, isso eu seeiiiii... -, mas baixam o tom pouco depois. Este concerto não é para novos com metade da pica dos velhos, essa é que essa! 

Já respondeu, está tudo bem, já dorme. Ufaaaa! Respiremos, então. Moche?
Too much.

Duas horas, rockeiros do caraças. Isto é que é. Já me doem os joelhos. E os rins. E os pés. Está calor. 
A vida vai torta, jamais se endireita, o azar persegue... Queremos todos gritar a letra, mostrar que a sabemos todinha, todinha. Os novos, os velhos.
Vão e voltam duas vezes ao palco. Mas que raça é esta, pá? Agradecem-nos a presença, o calor. Nós é que agradecemos tanta genuinidade, sem tiques de vedeta. 
Ai, meu amooooorreeee, o-que-eu-já-chorei-por-tii... Pra sempre, vou gostar de ti. Mete corações a arder no cenário grafitado em contentores. Que show de concerto.
Gritamos como podemos a pedir mais, alguns de nós já não sabem como é que isso se faz, mas resulta. Gritamos pronto. Ainda voltam para nos lembrar as saudades que já temos da nossa casinha.

Neste caso... não tanto da casinha, mas de quem nos espera na casinha.

O avô cantigas já põe o lenço na cabeça, qual velhinha com frio, pela manhã. Mas a guitarra imaginária continua a tocar freneticamente na perna, meus amigos, a coisa está para durar! Cansaço é para os novos. E este concerto não é para novos.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Um Ano de Anita Barriguda

Já se passou um ano mas ainda sinto borboletas na memória ao recordar o entusiasmo que me levou a criar o Anita Barriguda!

Estava a viver uma fase de plena paixão pela vida!
Estava grávida, estava a concretizar um "projecto", um sonho que ousámos pôr em prática, mesmo com a crise instalada cá em casa, mesmo estando eu desempregada há três anos e sem perspectivas de voltar ao mercado, mesmo sem, mesmo sem... 

Desta vez, a reviravolta deu-se, mas de dentro para fora.  
E que decisão tão ousada e, simultaneamente, acertada: ter um filho(a)!
A decisão mais coerente, mais importante e mais compensadora da minha fase adulta.

O blogue.
O blogue serviu para partilhar a minha felicidade com os mais próximos, mas julgo que até mais com os que não são próximos, mas que se identificam com o que fui vivendo na gravidez (e agora na maternidade). Para além disso, o Anita Barriguda fez-me voltar a fazer uma das coisas que mais me preenche e me define: escrever. 

E embora não sendo estreante neste mundo dos blogues, claro que me espantei com o número de visualizações de página que alguns posts alcançaram! 

Cerca de 12 mil visualizações
Obrigada!
Por estarem aí, aqui comigo



O feedback de quem já me segue há algum tempo e de quem acaba de chegar tem sido muito bom e a divulgação que o blogue vai tendo, especialmente, pelo mundo, é qualquer coisa...

Com que então, e sem qualquer desprimor por quem vive em Portugal (>3), há por aí gente a ler-me na...

China, Estados Unidos, Ucrânia, Brasil, Bélgica, Suiça, Rússia, Bielorrúsia, África do Sul...???

Que giroooo! Nem sei como é que estas coisas acontecem.

A Inês nasceu e pensei, claro que sim, se faria sentido continuar com o blogue. 
A Anita já não está barriguda (pelo menos, tanto :)! 

As aventuras da maternidade claro que dão pano para mangas! E são igualmente deliciosas. 
Mas depois há a questão da privacidade: a da menina, a minha, a do resto da família... Até que ponto é possível manter sempre o bom senso e não beliscar a nossa própria privacidade? Há sempre um dia em que os nossos filtros estão cansados ou distraídos e prevaricam um bocadinho e nos levam a publicar qualquer coisa a "mais". E uma vez na "nuvem", sempre na "nuvem"...

Bem, velhas questões que sempre acabam por se colocar a quem tem blogues de natureza pessoal, como é o caso deste. Não tenho resposta para este dilema, ainda.

Sei que continuo a gostar de escrever sobre a minha vida como mãe. 
E gosto do Anita Barriguda e até me apetecia que desse um salto: queria-o mais moderno, mais apelativo. Há por aí coisas tão giras a ser feitas. Como é que elas fazem, hum? :) 

Bem, por último, quero hoje, neste post dedicado ao primeiro aniversário do Anita Barriguda, deixar mais um agradecimento infinito a quem sempre me apoia nestas aventuras da escrita. Vocês sabem quem são :)
Obrigada >3

Vamos cantar os parabéns?
Um-dois-três...

Paaaa-ra-béennnss...











quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O dia encolheu - a saga continua...


A Mel está a completar seis meses de vida.
Isto merece um sorriso.

A vida mudou de uma maneira incrível e se nos adaptámos facilmente a grande parte das mudanças, outras há que...
Durante este tempo coloquei, muitas vezes, em causa, a minha capacidade de organização, de concentração, de foco... Os dias ganharam uma nova grelha de programação, mas eu? Não quis dar parte fraca! Continuei a traçar os meus objectivos, como se nada fosse, limitando-me a acrescentar "coisas"...

Continuar a fazer tudo o que fazia antes de ter a Mel nos meus dias!
Cuidar dela com tudo o que ela (e eu) tem(os) direito e ainda... 
Refazer o meu lado profissional, recomeçar a luta, por um trabalho! Que saudades de trabalhar!

Claro que não é possível.
Não é.
Não é mesmo.

[A aceitação. Primeira parte do erro resolvida]

Não, não tenho que fazer as camas todos os dias.
Não, não tenho que limpar a louça da máquina logo pela manhã, só porque já está despachada.
Não, não preciso arrumar sempre os babetes se, daqui, a três horas, vou precisar outra vez, podem ficar no cantinho da mesa, sim senhora.
Não, não posso fazer comidas muito complicadas que exijam mais do que uma hora de cozinha.
Não, o dia não vai ter mais horas só porque agora sou mãe e dona de casa, por isso, tenho que me levantar muito mais cedo! Consegui ganhar esta batalha e, hoje em dia, já saio da cama às 7h30 :)
Não, não é possível querer ter a casa arrumada, organizada e limpa como se fosse só dona de casa e a bebé estivesse no berçário.
Não, não é possível estar 24 horas com a bebé, como se não houvesse nada mais no mundo (educar e amar não é estar em permanente observação e interacção!).
Não, não é possível querer fazer um horário de "ok, é como se estivesse a trabalhar e não faço mais nada", quando... se está em casa e se tem que assegurar uma série de tarefas diárias, e quando... se tem uma bebé em casa!

Há muitos nãos que têm que ser aceites. 
Não há super-mulheres, por exemplo.
E se há, eu não fui agraciada com tão desejado dom.
Vai daí...

Sim. Isto está a melhorar.




quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Sopinha da mãe


E hoje, o que temos para o almoço?
Puré de borrego, alface e cenouras! 
Esta sopinha até eu gostei... mais ou menos. Afinal de contas, a ausência de sal influencia-nos e muito este paladar adulto, viciado em coisinhas nem sempre saudáveis.

Fazer as sopinhas para a Mel é coisa que me dá prazer, especialmente nesta fase de descoberta. Quase a chegar aos seis meses, a minha bebé já provou batata, cenoura, abóbora, cebola, nabo, feijão-verde, bróculos, alface, agrião e batata doce... Os caldos já levam o sabor da carne, por agora, ainda só frango, peru e borrego.
Mas estamos quase, quase a completar "metade de um ano", como diria o meu sobrinho de quatro anos, pelo que se avizinha o desafio do peixe, dois purés de legumes por dia e uma papa... Haja imaginação, portanto! E muita disciplina no frigorífico para poder assegurar refeições em condições, a tempo e horas.

O livro que está na fotografia, "1,2,3 Uma colher de cada vez" pode dar uma excelente ajuda para cozinheiras/os sem imaginação... acontece a todos, com maior ou menor frequência, mas acontece! :)

Não esquecer que:
- Misturar legumes e fruta pode ser uma opção (embora concorde com a pediatra que defende que as crianças devem habituar-se ao sabor dos alimentos, como eles são)
- As crianças devem experimentar alimentos variados, mesmo aqueles que o nosso paladar recusa!

É também importante não ignorar que há regras para se fazer a diversificação alimentar, há proibições e processos graduais. Neste campo, confesso que sou rigorosa nos tipos de alimentos a dar em cada fase de desenvolvimento da Mel, mas não sou "mais papista que o Papa!". Habituada a cozinhar, não peso alimentos (à excepção da carne), uso a minha intuição para criar sabores apetecíveis. Mas para quem não tem tanto à vontade, recomendo vivamente que façam tudo "by the book" :)

Ali de lado, estão boiões de comidinha da Nutribén, viram? Foi só para provocar :)
Neste assunto, sou mais conservadora. Bem mais. Boiões só para ter sempre no saco da Mel, quando saímos, porque nunca se sabe o que pode acontecer e quando chegamos a casa. Ou para quando vamos sair e não houve tempo para preparar a refeição, ou porque, realmente, naquele dia, dá mesmo jeito ser só abrir o frasquinho para alimentar a cria, pronto!
Mas por norma... Comidinha da mãe :) Tão boooommm.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Presentinho gostoso


Este Verão, a Mel vai fazer sensação.
Presentinho da Marézinha Kids!


O que pensará o carteiro?
Remetente: Marézinha. Destinatário: Anita Barriguda.
Sorria, sr. carteiro, sorria :)

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Uma banheira é só uma banheira

Em primeiro lugar: Parabéns.
Parabéns a vocês todas, as que se preparam para ser mães pela primeira vez. Ou que são repetentes.
Parabéns pela coragem.
Estou com vocês, nessa felicidade. 

Em segundo lugar: Deixem-se de tretas.
A sério.

Não quero ser exaustiva, mas quando olho para o fraldário da Mel, quase sempre concluo: 
"Caramba, dizemos nós que o dinheiro não dá para tudo, talé esta mariquice!" :)

Vai daí, algumas considerações:

1. O fraldário é coisa realmente útil. Tendo prateleiras, dá para arrumar e ter sempre organizado uma série de produtos do bebé. É óptimo para poupar as costas quando se muda a fralda e muito útil para colocar a banheira (agora já emigrámos para a casa-de-banho!).

2. Uma banheira é só uma banheira. A sério. Um recipiente de plástico onde se mete água e o bebé. Só tem que ser isto! Não adianta estudar muito sobre banheiras! A minha é do Ikea (a Mel nasceu e ainda não nos tínhamos decidido sobre que dita cuja havíamos de comprar, ficámos então com uma do meu sobrinho... temporariamente... até hoje! :), deve ter custado pouco mais do que 5€, e é perfeita. Aconselho uma que não tenha assentos ou outras saliências, porque se tornam incómodas à medida que o bebé cresce. A minha não encaixa na banheira, não tem ralo para sair a água... É mesmo só, e tão só, felizmente, uma banheira. Daquelas onde se põe água e o bebé :)

3. Fraldas muito boas: Dodot. São as mais caras, mas as que aguentam melhor uma noite inteira. Uma promoção boa, para Tamanho 2, por exemplo, situa-se nos 0,11€/fralda. Se "apanharem" este preço, aproveitem,sem medo :)
Fraldas para usar durante o dia: Pingo Doce ou Auchan. Baratas e com a qualidade necessária. A marca Pommete não colheu grande entusiasmo.

4. Cotonetes para bebé: pensava que era só mais uma mariquice mas, realmente, respeitam a anatomia do bebé e garantem mais segurança no acto da limpeza. As secções dos hipermercados têm este produto à venda por 0,50€ sensivelmente, por isso, quando virem os da Chicco, a 3 ou 4€ não pensem que se trata de uma coisa especial de corrida! A Chicco está mesmo a exagerar! E não justifica. Um cotonete de bebé é mesmo só um cotonete de bebé! :)  E o mesmo se passa com o soro unidose!

5. Produtos para o banho. Adoro a marca D'Aveia. Também gosto da Mustela e de outras tantas que se vendem em farmácias, a 20 ou 30€/litro... Mas, ok, experimentei recentemente a Corine de Farme e, magia das magias, cumpre muito bem a função. Não provoca alergia, faz espuma q.b, cheira bem. E é barata :)

6. Os muda-fraldas descartáveis. É coisinha que me indigna por ser tão dispensável e por continuar a utilizar. Cada um fica à volta de 0,20€, pode não parecer muito, mas há dias em que a coisa pode correr mal e lá vai um, e dois, ou mesmo três... Já nos socorremos de fraldas de usar e deitar fora, já colocamos uma base almofada e plástica na hora da muda , mas ainda lhe pomos um protector por cima, hein! Agora é porque está frio e sempre a bebé fica mais confortável. E de Verão, que desculpa? Enfim, é o que a sociedade de consumo nos impinge e que nós, no rebanho, aceitamos consumir.

E por hoje é tudo.
Deixem-se de tretas, a sério.
E parabéns, mais uma vez.
E um beijinho, portem-se bem.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Então era isso...



Às vezes os dias acordam cinzentos. Adormecem e acordam da mesma maneira. 
Passam-se semanas e as cores pouco ou nada mudam. 

Tantas vezes estamos com o saco tão cheio que nem sabemos quando começou o dito cujo a pesar. Nem exactamente porquê. Nem como é que o despejamos. Começamos por onde?
E a vontade de emigrar um pouco. Umas horinhas por dia que sejam!

Nem sempre sabemos entender o que vai cá dentro. Se calhar tem mesmo que ser assim.

Quando gargalhei, no meio das nossas conversas tolas, percebi que, então era isso, sentia falta de gargalhar.
Quando ouvi tocar o despertador da "papinha", senti que, então era isso, fazia-me falta perder a noção do tempo.
Quando respirei fundo, cansada da conversa, percebi que, então também era isso,  fazia-me falta conversar e estafar os "outros" com a minha conversa... 
Quando estávamos todos na sala a sorrir com as bolhinhas que a minha bebé faz, como quem alcançou algo nunca visto, percebi que, então também era isso, fazia-me falta partilhar a minha filha com vocês e perceber como também gostam dela.
Quando pus os olhos no meu mar, nas minhas ondas, nas minhas dunas, senti que sim, era muito isso, sentia falta da minha costa, do meu ar, deste cheiro... 
Quando pusemos o biberon da Mel a arrefecer com a brisa do mar no capot do carro, percebi que sim, é mesmo isto, as rotinas tiveram que mudar, nunca mais voltam a ser o que eram, se calhar há um certo caos que tão cedo não se pisga lá de casa, mas há sempre um escape. Tem que haver.

Então era isso. 
Andava a precisar de praia.
E de vos absorver.
E de não fazer comida.
E de experimentar a Yammi da minha mãe.
E de me rir contigo, sem ser à pressa.
E de estender as tuas roupinhas encardidas de fruta, no estendal virado para o meu pinhal.

>3 


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Com licença

Com licença. E olhou para a plateia escura, chorosa, pensativa, silenciosa, abrigada debaixo de guarda-chuvas, também eles tristes e molhados. 
Sem ninguém dizer nada, percebeu que havia ordem para prosseguir. E começou a tapar o caixão. Pazada atrás de pazada. Terra com terra, com terra. A dada altura, um montinho já moldado. As flores por cima, as despedidas, os lamentos nas cabeças de cada um. Os lamentos na cabeça de cada um.

Todos têm lamentos para lamentar num funeral. E, às tantas, muitos caem na tentação: choram o morto, sim, o que acaba de chegar (ou de partir?) à terra e, quando dão por eles, choram os outros que para lá já foram descansar, enganados pela vida. Morto puxa morto. Tristeza puxa tristeza.
E quando ele disse "com licença", sentimo-nos todos autorizados.

Bolas, quem morre merece um choro só para si.

Ai que isto funciona como um gatilho. Já chorei por outra pessoa. Bolas. Mas cada morto merece um choro só para si, sem dúvida. Uma cabeça cheia de si, da sua vida, do que fez e do que não fez. Ou então, só a lembrança da sua cara. Ou então, só a lembrança daquele beijo na praia, daquele sorriso quando venceu, daquele gesto de amor quando... Cada morto merece, na hora da partida, cabeças cheias de si. E um chorinho só para si.

Mas isto tudo, tão chuvoso, tão silencioso, tão sentido, dispara-nos directo no coração. Ai que isto funciona como um gatilho. Desculpem todos aqueles que já morreram e que não puderam gozar da exclusividade merecida. Todo o morto merece um chorinho só para si. E uma cabeça cheia de si. 

Merece os passos sem som que são dados no último adeus. Merece os soluços calados. As lágrimas sem pernas para correr. A sensação de vazio que fica. Quem morreu há-de merecer a exclusividade dos corações partidos. Ai sim. Se ainda houver essa capacidade, perdoem os mortos que tiveram que partilhar, na sua partida (para onde, para onde?), o choro com outro alguém, algures dentro do coração de alguns dos presentes da plateia escura, chorosa, pensativa, silenciosa, abrigada debaixo de guarda-chuvas, também eles tristes e molhados.

Todas as pessoas merecem um chorinho só para si. 

Um beijinho.



sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Piscina de sopa

Se há altura da vida em que os clichés se aplicam, tenho para mim, que a maternidade é uma delas. Tornamo-nos iguais nesta coisa de amar os filhos, de os admirar, de lhes querermos bem... e de gostarmos de os ver comer! Ó felicidade, ver um filho comer.

Escrevo isto e lembro-me imediatamente da minha avó:
"Vai mais uma carcacinha filha? Hum, aí em cima do bifinho, vá lá...!". Ó avó, um beijinho.

É fácil prever que, quando acordo momentaneamente do meu transe alimentar - colher com sopa, boca da Inês, colher com fruta, boca da Inês - dou por mim a fazer boquinhas, aqueles que imitam o acto de comer, como quem ajuda a comida a ir para dentro, numa fase em que os bebés só sabem pôr tudo cá para fora!
Vem-me à ideia que também não será mau fazer uma sessão fotográfica centrada nas expressões de amor, entusiasmo, desespero e expectativa que os pais fazem quando estão a alimentar a sua cria. Acho que deve ser giro, mas tenho algum medo do resultado :)

Hoje a coisa atingiu níveis interessantes. O acto de comer sólidos já vai ganhando ritual, por isso, na ausência de um babete plástico-vestido que vede bem um pescoço pequenino (que raio, ainda não se lembraram de os fazer mais pequenos ou eu é que ainda não os encontrei à venda?), ato uma fralda de pano e depois o babete plastificado. Depois, a coisa dá-se ao ritmo que a Inês quer: rapidinho. Para não falhar - não vá ela desistir e começar a chorar e ficar à meia tripa, oh my God! -, acelero o ritmo, satisfeita da vida ao ver a sopa desaparecer. 

O pior? O pior foi quando percebi que a sopa desapareceu não só para a boca, nem só para as bochechas e nariz, mas também para debaixo do queixo, onde formou uma piscina. Olímpica!
Bem, não há tempo a perder, pensei. O stock tem que ser reposto na colher! Uma vez vai da tigelinha, outra vez abasteço por baixo do queixo. 

Conclusão: com duas fontes de abastecimento, a coisa até teve mais sucesso :)
Pior são os efeitos colaterais.